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ANPEC 2026 · Economia Brasileira – Anpec 2026
Questão 06
Não iniciada
Tipo A — V/F
Economia BrasileiraCrise da dívida externa, ajuste e década perdidaDebate sobre causas da inflação e estabilização monetáriaInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990
Sobre a economia brasileira na década de 1980, é correto afirmar:
A recessão ocorrida entre 1981 e 1983 elevou a dívida pública interna, entre outros motivos, porque reduziu a proporção da carga tributária bruta em relação ao PIB, sendo que a carga tributária bruta só voltou a crescer quando o PIB se recuperou em 1984.
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A necessidade de transferir recursos reais ao exterior provocada pela crise da dívida externa dificultava o controle da inflação mediante a política cambial.
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O crescimento do superávit comercial entre 1982 e 1984 resultou mais da redução da absorção doméstica gerada pela política de controle monetário e fiscal do que dos resultados defasados do II PND.
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A piora do déficit comercial em 1986, em meio ao Plano Cruzado, induziu expectativas de desvalorização cambial que, em certa medida, contribuíam para se autorrealizar porque postergavam o fechamento de contratos de venda ao exterior.
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Economia BrasileiraDebate sobre causas da inflação e estabilização monetáriaMercado de trabalho, emprego e política salarialInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990Plano Real, URV e estabilização nos anos 1990
A respeito da inflação e das políticas adotadas para o seu controle no Brasil, pode-se afirmar que:
O debate teórico sobre a natureza da inflação nos anos 1980 desconsiderava a possibilidade de se tratar de uma típica inflação resultante da monetização do déficit público. Nesse sentido, as propostas de estabilização discutidas no ambiente acadêmico tinham na inércia inflacionária o principal alvo a ser debelado.
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A proposta de moeda indexada de Arida e Resende (1984) foi parcialmente implementada durante a gestão de Bresser-Pereira no Ministério da Fazenda. A Unidade Real de Preços (URP) funcionou como um indexador de preços e salários, mas sua efetividade foi limitada devido à decretação da moratória da dívida externa, ao congelamento da taxa de câmbio e ao aprofundamento do déficit público.
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O Plano Verão foi a única oportunidade durante o governo Sarney em que não se valeu do congelamento de preços para debelar a aceleração inflacionária. Para além da convicção ortodoxa do ministro Maílson da Nóbrega, a equipe econômica já havia entendido que a população criara estratégias informais para driblar, e, assim, anular, os efeitos dessa medida.
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O chamado plano Collor II, lançado na gestão da ministra Zélia Cardoso de Mello, tinha por objetivo controlar a inflação por meio da racionalização dos gastos nas administrações públicas, do corte das despesas públicas e da aceleração do processo de modernização do parque industrial. Além disso, o plano também previa acabar com a indexação, introduzindo um novo indexador, cuja principal diferença era sua característica forward looking.
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O Plano Real teve impactos não esperados pela equipe econômica sobre as contas públicas. Isso porque se observou no Brasil o chamado efeito “Oliveira-Tanzi às avessas”, uma vez que a estabilização monetária aprofundou, e não diminuiu, o déficit fiscal do governo nos primeiros anos do governo Fernando Henrique Cardoso.
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Economia BrasileiraCrise da dívida externa, ajuste e década perdidaCrise de 1929, defesa do café e deslocamento do centro dinâmicoInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990
Desde a Independência, um dos problemas recorrentes da economia brasileira foi a dívida externa, que em vários momentos impactou seu desempenho e foi objeto dos formuladores da política econômica. Sobre tal tema, pode-se afirmar:
A suspensão de pagamentos referentes à dívida externa foi uma das medidas adotadas pelo Governo Federal na década de 1930 para enfrentar o estrangulamento cambial.
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O aumento do endividamento externo no período conhecido como “Milagre” (1968-1973) se deu concomitante à formação de reservas internacionais, pois superou a necessidade de financiamento do déficit em conta corrente do balanço de pagamentos.
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O primeiro acordo firmado com o FMI, no início de 1983, foi quase integralmente cumprido pelo Governo Brasileiro. Ainda assim, a balança comercial e os serviços fatores depuseram contra a geração de superávit nas transações correntes planejado para o ano, de modo que o equilíbrio externo em 1983 dependeu do aporte financeiro realizado pelo Fundo.
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A moratória da dívida externa decretada em 1987 respondeu a um cálculo político do Governo Sarney, uma vez que a recessão decorrente do Plano Cruzado havia contribuído para a queda das importações e, consequentemente, para a elevação das reservas internacionais a níveis compatíveis com a manutenção do pagamento do serviço da dívida externa.
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Economia BrasileiraDebate sobre causas da inflação e estabilização monetáriaPlanejamento, política industrial e papel do EstadoInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990Política salarial e mercado de trabalho
A equipe econômica que assumiu os ministérios da Fazenda e do Planejamento após o golpe de 1964 partia de uma concepção econômica ortodoxa. Acerca do Plano de Ação Econômica do Governo, é possível afirmar que:
A despeito da inspiração ortodoxa de seus formuladores, o PAEG sugeria certa disposição em se conviver com alguma elevação dos preços, estipulando uma redução gradual, e não imediata, das taxas de inflação.
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As modificações na Lei de Remessa de Lucros e o aumento da abertura a capitais externos foram medidas que contribuíram para a atração de capital estrangeiro.
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A eliminação de subsídios, como às importações de trigo e petróleo, e o aumento nos preços de serviços de utilidade pública são medidas que, embora tenham contribuído para conter o déficit público, também concorreram, no curto prazo, para aumentar a inflação.
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O PAEG teve na política salarial um dos principais componentes da estratégia de combate à inflação. Na prática, a nova regra de reajuste provocou a redução média do salário real.
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Os economistas que se baseavam na Teoria Quantitativa da Moeda não conferiam à inflação brasileira características especiais. Tratava-se, em sua visão, do resultado da excessiva expansão monetária, uma forma inadequada de financiar os gastos do governo.
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Tanto o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, do Governo Goulart, como o Programa de Ação Econômica do Governo — PAEG, do Governo Castelo Branco, e o Plano Estratégico de Desenvolvimento — PED, do período de Costa e Silva, propuseram o gradualismo como estratégia de combate à inflação.
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A pré-fixação das correções monetária e cambial, adotada no ano de 1980, contribuiu para desacelerar o crescimento do PIB, mas obteve êxito no que tange ao combate à inflação.
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Entre os economistas que propunham um choque ortodoxo de controle da demanda, a política mais apropriada para se combater o processo inflacionário dos anos 1980 seria a adoção de um ajuste contracionista, tanto fiscal quanto monetário.
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A política econômica adotada no decorrer do ano de 1988 foi marcada por uma tentativa gradualista de controlar a inflação, baseada na contenção fiscal e no congelamento dos valores nominais dos empréstimos do setor público.
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Economia BrasileiraInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990Mercado de trabalho, emprego e política salarialPlano Real, URV e estabilização nos anos 1990Economia brasileira pós-Plano Real e no século XXI
Sobre os planos de estabilização propostos e implementados na segunda metade da década de 1980, é certo afirmar:
O conjunto de iniciativas adotadas em julho de 1986, conhecido como Cruzadinho, continha medidas restritivas à demanda em alguns setores, como combustíveis, automóveis e viagens internacionais.
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No diagnóstico do Plano Bresser, instituído em junho de 1987, a inflação foi identificada como inercial e de demanda, e, por consequência, as iniciativas de política econômica apresentaram caráter híbrido, com elementos heterodoxos e ortodoxos.
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O Plano Collor, em seus primeiros meses, adotou um sistema de âncora cambial com taxa de câmbio fixa, iniciativa que seria também utilizada no Plano Real.
Comentário da afirmativa
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A elevação da carga tributária bruta nos anos após a adoção do Plano Real foi acompanhada de aumento tanto do endividamento público como dos gastos do governo na conta de juros reais.
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Economia BrasileiraMercado de trabalho, emprego e política salarialInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990Plano Real, URV e estabilização nos anos 1990
Durante as décadas de 1980 e 1990 foram implantados vários planos econômicos com o propósito de combater a inflação. Sobre tais planos, pode-se afirmar:
O Plano Cruzado formulou uma proposta de congelamento de salários, tendo por base o valor médio dos salários dos últimos seis meses, adicionado de um abono de 8%, exceto para o salário mínimo, que recebeu abono de 16%.
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O Plano Bresser admitia, em sua concepção, que existia tanto um componente inercial na inflação como pressões de demanda que vinham da época do Plano Cruzado.
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O Plano Collor, por seus erros de condução, foi incapaz de se aproveitar de uma situação muito confortável de reservas, que eram resultado da volta do Brasil ao mercado voluntário financeiro internacional.
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A maior parte do aumento de receitas proposto no ajuste fiscal do Plano Collor recaía sobre os assalariados, via aumento de alíquotas do Imposto de Renda, e não sobre rentistas, via aumento do Imposto sobre Operações Financeiras.
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O Plano Real contou, em sua fase inicial, com a aprovação do Programa de Ação Imediata, o qual, dentre outras medidas, propunha combater o déficit público por meio da introdução de regras para regular as transações do Governo Federal com estados e municípios, além de prever novos tributos.
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