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ANPEC 2026 · Economia Brasileira – Anpec 2026
Questão 01
Não iniciada
Tipo A — V/F
Economia BrasileiraSetor externo, dívida externa e restrição externaIndustrialização e política econômica nos anos 1950Economia brasileira pós-Plano Real e no século XXI
Sobre as relações entre a economia brasileira e a economia mundial, é correto afirmar:
Na vigência do padrão-ouro no Brasil, um ciclo de expansão dos influxos de ouro tendia a elevar as importações de bens e, com o tempo, erodir substancialmente o superavit comercial mesmo antes dos colapsos frequentes do preço do café.
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Dada a incapacidade de obter financiamento externo líquido no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, a crise cambial brasileira de 1947 resultou principalmente do crescimento das importações de bens de consumo desde 1945.
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Entre 1995 e 1998, o objetivo de preservar a apreciação cambial em contexto de déficits em transações correntes ajuda a explicar por que a taxa real de juros SELIC nunca caiu abaixo de 15% ao ano.
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Entre 2003 e 2006, o crescimento da participação da China como mercado de destino das exportações brasileiras de commodities é uma causa importante da ocorrência de superavit em transações correntes em todos os anos.
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Até 1914, a expansão e a diversificação do investimento na indústria de transformação, de capital predominantemente nacional, podem ser explicadas mais pelo crescimento da economia agrícola-exportadora do que por suas crises.
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Apesar do movimento de internacionalização industrial depois de 1964, cerca de 50% da produção industrial concentrava-se, em 1970, em ramos onde havia forte concorrência entre empresas nacionais e estrangeiras.
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Apesar da perda de participação da indústria de transformação no PIB brasileiro entre 1996 e 2010, os ramos intensivos em tecnologia do complexo eletrônico aumentaram a participação no interior da indústria tal como ocorreu nos países de mais alta renda no período citado.
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Além de simplesmente assegurar o financiamento externo do crescimento do PIB e das importações diante do choque do Petróleo, o II PND visava a transformação estrutural da economia para torná-la menos dependente de importações essenciais.
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Os investimentos na produção de bens de consumo duráveis e não-duráveis foram os que mais avançaram durante o Plano de Metas. O foco em tais setores, de rápida maturação das inversões e de mais fácil substituição, foi um dos principais motivos por trás da acelerada industrialização observada no período.
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As contrações fiscal e monetária adotadas após a aprovação do Plano de Estabilização Monetária (1958), na gestão de Lucas Lopes no Ministério da Fazenda, foram o principal elemento subjacente à desaceleração econômica observada nos dois últimos anos do governo JK. As contas externas e a inflação, entretanto, não responderam ao choque contracionista, de modo que os níveis de preços se mantiveram nos mesmos patamares verificados desde o início do mandato de JK.
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O cenário internacional concorreu para o não cumprimento de determinados objetivos traçados pelo Plano de Metas, pois o acirramento da Guerra Fria contribuiu para que os fluxos de empréstimos e investimentos fossem redirecionados para outras regiões do globo. Diante da impossibilidade de captar recursos externos, o governo JK teve que se utilizar de fundos públicos e, especialmente, de recursos da poupança interna para financiar a maior parte das obras e investimentos contidos no plano.
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Embora a substituição de importações de bens intermediários e de produção tenha avançado no período, não se pode considerar o Plano de Metas como o momento de instalação desses setores no país. Isso porque já se observava a operação de indústrias com produção relevante naqueles setores, como os de cimento e ferro, desde, pelo menos, a década de 1930.
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O apoio que as Forças Armadas ofereceram ao governo JK durante seu mandato mostrou-se fundamental para a sustentação de seus objetivos industrializantes. Isso porque a oposição da UDN e do PSD, partidos mais liberais em matéria econômica, dificultou a aprovação de medidas de nacionalização e de reserva de mercado em alguns setores da economia brasileira.
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Historicamente, o desenvolvimentismo pode ser entendido como uma ideologia que se materializou em políticas econômicas e instituições voltadas a um projeto de industrialização, como, por exemplo, a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial no Banco do Brasil e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
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No Brasil, o positivismo influenciou o desenvolvimentismo tanto no elogio da promoção estatal da industrialização quanto na postura perante a expansão do crédito bancário.
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O desenvolvimentismo de Getúlio Vargas, refletido na criação de instituições capacitadoras da diversificação industrial, também promoveu a criação de instituições voltadas a estimular a diversificação agrícola.
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Os ideólogos do desenvolvimentismo do setor público eram, em geral, nacionalistas, ou seja, defendiam a estatização dos setores estratégicos de mineração, indústrias de base, infraestrutura e serviços públicos para estimular a industrialização.
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Economia BrasileiraAgricultura e agropecuária no desenvolvimento brasileiroReforma fiscal, financeira e tributáriaMilagre econômico, PED e política econômica da ditaduraCrise da dívida externa, ajuste e década perdida
Sobre a política econômica da ditadura militar, é correto afirmar:
A política agrícola assegurou o crescimento equilibrado da produção de alimentos in natura para o mercado interno e da agricultura de exportação com o objetivo de controlar a inflação de alimentos.
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A realização de reformas institucionais no governo Castello Branco para recuperar a capacidade de investimento do setor privado possibilitou que este setor fosse responsável por mais da metade da formação bruta de capital fixo no país em 1969.
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A realização de parte do gasto público por meio do orçamento monetário ampliava a capacidade de realizar uma política de expansão fiscal sem autorização legal no Orçamento Geral da União.
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O primeiro declínio do PIB real no período pós-II Guerra Mundial ocorreu no Brasil em 1981 como resultado de uma política econômica orientada para reduzir a absorção doméstica em vista de problemas de financiamento externo.
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Economia BrasileiraCrise da dívida externa, ajuste e década perdidaDebate sobre causas da inflação e estabilização monetáriaInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990
Sobre a economia brasileira na década de 1980, é correto afirmar:
A recessão ocorrida entre 1981 e 1983 elevou a dívida pública interna, entre outros motivos, porque reduziu a proporção da carga tributária bruta em relação ao PIB, sendo que a carga tributária bruta só voltou a crescer quando o PIB se recuperou em 1984.
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A necessidade de transferir recursos reais ao exterior provocada pela crise da dívida externa dificultava o controle da inflação mediante a política cambial.
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O crescimento do superávit comercial entre 1982 e 1984 resultou mais da redução da absorção doméstica gerada pela política de controle monetário e fiscal do que dos resultados defasados do II PND.
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A piora do déficit comercial em 1986, em meio ao Plano Cruzado, induziu expectativas de desvalorização cambial que, em certa medida, contribuíam para se autorrealizar porque postergavam o fechamento de contratos de venda ao exterior.
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Economia BrasileiraDebate sobre causas da inflação e estabilização monetáriaMercado de trabalho, emprego e política salarialInflação inercial e planos heterodoxos dos anos 1980/1990Plano Real, URV e estabilização nos anos 1990
A respeito da inflação e das políticas adotadas para o seu controle no Brasil, pode-se afirmar que:
O debate teórico sobre a natureza da inflação nos anos 1980 desconsiderava a possibilidade de se tratar de uma típica inflação resultante da monetização do déficit público. Nesse sentido, as propostas de estabilização discutidas no ambiente acadêmico tinham na inércia inflacionária o principal alvo a ser debelado.
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A proposta de moeda indexada de Arida e Resende (1984) foi parcialmente implementada durante a gestão de Bresser-Pereira no Ministério da Fazenda. A Unidade Real de Preços (URP) funcionou como um indexador de preços e salários, mas sua efetividade foi limitada devido à decretação da moratória da dívida externa, ao congelamento da taxa de câmbio e ao aprofundamento do déficit público.
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O Plano Verão foi a única oportunidade durante o governo Sarney em que não se valeu do congelamento de preços para debelar a aceleração inflacionária. Para além da convicção ortodoxa do ministro Maílson da Nóbrega, a equipe econômica já havia entendido que a população criara estratégias informais para driblar, e, assim, anular, os efeitos dessa medida.
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O chamado plano Collor II, lançado na gestão da ministra Zélia Cardoso de Mello, tinha por objetivo controlar a inflação por meio da racionalização dos gastos nas administrações públicas, do corte das despesas públicas e da aceleração do processo de modernização do parque industrial. Além disso, o plano também previa acabar com a indexação, introduzindo um novo indexador, cuja principal diferença era sua característica forward looking.
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O Plano Real teve impactos não esperados pela equipe econômica sobre as contas públicas. Isso porque se observou no Brasil o chamado efeito “Oliveira-Tanzi às avessas”, uma vez que a estabilização monetária aprofundou, e não diminuiu, o déficit fiscal do governo nos primeiros anos do governo Fernando Henrique Cardoso.
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Economia BrasileiraReformas institucionais, previdenciária, trabalhista e tributáriaDebate sobre causas da inflação e estabilização monetáriaPlano Real, URV e estabilização nos anos 1990Privatizações, reforma do Estado e regulação
Sobre a economia brasileira durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, pode-se afirmar que:
O principal objetivo da reforma da Previdência aprovada em 1998 foi a contenção do déficit previdenciário do funcionalismo público. Ainda que inferior ao do regime geral, o resultado financeiro negativo do regime próprio dos servidores federais foi paulatinamente atenuado a partir daquele ano com o fim da paridade da aposentadoria integral.
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Em seu primeiro mandato, o governo Fernando Henrique Cardoso contou com a âncora cambial para controlar a inflação. A manutenção do câmbio real sobrevalorizado comprometia a condução da política monetária, o que, por sua vez, também contribuiu para a geração de déficits fiscais e em transações correntes do balanço de pagamentos observados naquele período.
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A conjuntura internacional favoreceu a continuidade das medidas contidas no Plano Real. A elevada liquidez e o cenário de relativa estabilidade durante a segunda metade dos anos 1990 permitiram que o real se mantivesse valorizado sem fragilizar o resultado em transações correntes do balanço de pagamentos.
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As reformas microeconômicas levadas a cabo no período contribuíram para elevar a produtividade sistêmica da economia brasileira, bem como auferir competitividade às exportações. As privatizações, a política cambial e a redução dos tributos sobre a importação de insumos são alguns dos fatores que explicam a melhora do saldo em transações correntes do balanço de pagamentos naquele período.
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O êxito do Plano Real pode ser aferido pela viabilização do mais longo período de estabilidade monetária da história contemporânea do Brasil. No curto prazo, porém, o plano impôs óbices ao crescimento econômico, uma vez a adoção de uma política monetária contracionista para controlar o câmbio também concorreu para conter a expansão da demanda agregada.
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Na última década do Império, o poder público em São Paulo foi essencial para criar um mercado de trabalho livre ao financiar o transporte de imigrantes desde a Europa.
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Enquanto os salários de base foram contidos para contribuir para financiar a industrialização pesada no governo Juscelino Kubitschek, uma contenção semelhante ocorreu entre 1964 e 1967 para permitir uma maior diferenciação nas rendas do trabalho e ampliar o mercado de bens de consumo duráveis.
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A aceleração da inflação na década de 1980 tendia a agravar a concentração da renda, de modo que, em 1989, o Brasil tornou-se o mais desigual entre os países com dados confiáveis sobre a distribuição de renda.
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O aumento real do salário mínimo entre 1994, ano do Plano Real, e 2002 foi fator importante para aumentar continuamente a participação dos salários no PIB no período.
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Para os papelistas, a conversibilidade da moeda era vista como uma medida artificial e prejudicial ao ânimo dos negócios. O câmbio elevado não deveria ser buscado por uma conversibilidade artificial, mas pela prosperidade da nação, de modo que as dificuldades do balanço de pagamentos não deveriam ser enfrentadas com medidas monetárias restritivas, mas com mais crescimento econômico.
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Para Celso Furtado, o governo Vargas implementou uma política consciente de industrialização do país a partir de 1931. Tal estratégia não inviabilizou a adoção de políticas de contenção das perdas do setor cafeeiro, uma vez que a depreciação cambial, por exemplo, beneficiava tanto os exportadores quanto os industriais via encarecimento dos concorrentes estrangeiros.
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O pensamento econômico de Roberto de Oliveira Campos manteve continuidade teórica ao longo de sua trajetória. As influências liberais e contrárias à intervenção estatal fizeram-no se posicionar contrariamente ao Plano de Metas devido a seu viés nacionalista, o que lhe custou o cargo de presidente do BNDE.
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A interpretação do processo de substituições de importações foi uma das principais contribuições de Maria da Conceição Tavares para o pensamento econômico brasileiro. Já na década de 1970, Tavares se utilizou de contribuições teóricas de Kalecki para argumentar que o crescimento econômico seria possível, apesar da elevada concentração de renda, ao contrário de suas conclusões defendidas na década de 1960.
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As políticas de intervenção no mercado de câmbio adotadas por Delfim Netto durante as suas passagens pelo comando da economia brasileira, entre o final dos anos 1960 e o início da década de 1980, não encontravam amparo na sua principal obra acadêmica, O Problema do Café no Brasil. Nesta obra, além de defender medidas que libertassem a economia brasileira da dependência da cultura do café, Delfim também revelava a sua preferência por regime de câmbio flexível.
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